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DEUSES COM PÉS DE BARRO

  • 24 de fev.
  • 2 min de leitura
CONJUNÇÃO SATURNO/NEPTUNO EM CARNEIRO
CONJUNÇÃO SATURNO/NEPTUNO EM CARNEIRO

A conjunção Saturno/Neptuno em Carneiro fala precisamente do desmoronamento dos deuses com pés de barro.


Saturno representa as estruturas de poder, as hierarquias, as instituições que se afirmam como sólidas, eternas e incontestáveis. Neptuno dissolve, corrói, revela a ilusão por detrás da forma. Quando estes dois se unem, aquilo que parecia firme revela-se frágil. O que se sustentava na fé cega, no mito ou na mentira começa a ruir.


Em Carneiro, signo do início, da guerra, da afirmação do eu e da ação direta, essa queda não é silenciosa nem subtil. É abrupta, visível, violenta. Os supostos deuses (líderes, ideologias, sistemas) continuam de pé na aparência, mas os pés desfazem-se, porque já não assentam na verdade, ética ou legitimidade.


Esta conjunção marca o colapso de autoridades idealizadas, a falência de projetos baseados em fantasias de poder e o fim da obediência inconsciente.

Saturno tenta impor ordem e Neptuno mostra que essa ordem estava oca. Em Carneiro, o povo (e o indivíduo) recusa continuar submisso.

Recusa manter-se ajoelhado. Há um despertar para a ação, mas também o risco de agir a partir da desilusão, da raiva ou do fanatismo.

Quando os deuses caem, o vazio pode ser perigoso.


Astrologicamente, estamos perante um fim de ciclo mítico e o início de outro ainda sem forma. O velho mundo cai não porque é atacado por fora, mas porque se dissolve por dentro.

A imagem dos pés de barro ilustra perfeitamente a situação atual.

O colapso não começa no céu. Começa na base.


HÁ HOMENS EM CUJA ALMA O INFERNO HABITA


Há homens, em cuja alma o Inferno habita.

Alheios à dor que vislumbram do alpendre de seus olhos,

embriagam-se de si,

em vernácula existência.

Na diáspora do seu ser

e ofuscados por fictícia flama,

residem em berços nus,

embalados por mãos cheias de nada.

Essa é a dor e o desespero da balsa,

onde eu e tu

somos espezinhados,

para deleite dos homens,

em cuja alma o Inferno habita.

Quantas vozes precisam ser esmagadas para que o silêncio persista?


Isilda Nunes

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